
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, faleceu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na Santa Casa da capital sul-mato-grossense. A morte, confirmada pela Polícia Militar e por sua defesa, ocorreu em decorrência de problemas cardíacos na véspera de seu aniversário de 61 anos. Bernal estava preso preventivamente no Presídio Militar Estadual desde março de 2026 e havia sido internado na ala vermelha da unidade hospitalar no último sábado, após apresentar agravamento severo de seu quadro de saúde e baixa pressão arterial.
Nos últimos dias, o ex-prefeito passou por sucessivas internações e complicações médicas. Ele havia recebido alta hospitalar na sexta-feira anterior, retornando ao Complexo Penal do Jardim Noroeste. No entanto, voltou a passar mal menos de dois dias depois, necessitando de transferência de emergência. O histórico clínico recente de Bernal incluía uma cirurgia cardíaca e dois procedimentos de cateterismo, fragilidade que fundamentou cinco pedidos de prisão domiciliar por parte de seus advogados. Todas as solicitações foram negadas pelas instâncias do Poder Judiciário, incluindo o Superior Tribunal de Justiça, sob a justificativa da gravidade do crime e da garantia de atendimento médico pelo Estado.
A detenção de Alcides Bernal ocorreu no dia 24 de março de 2026, data em que se entregou à polícia após matar a tiros o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O homicídio foi registrado em um imóvel no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande. A vítima estava no local acompanhada de um chaveiro para tomar posse da residência, que havia sido retomada pela Caixa Econômica Federal por conta de dívidas de financiamento do ex-prefeito. Em junho, a Justiça determinou que Bernal fosse levado a júri popular por homicídio qualificado, porte ilegal de arma e invasão de domicílio, rejeitando a tese de legítima defesa apresentada por sua equipe jurídica.
Antes do desfecho na esfera criminal, Bernal consolidou uma extensa trajetória política, iniciada com sua popularidade como radialista e advogado na década de 1990. Ele cumpriu mandatos como vereador e deputado estadual até ser eleito prefeito de Campo Grande em 2012. Sua gestão no Executivo municipal enfrentou severas crises de articulação política, o que culminou em sua cassação pela Câmara de Vereadores em 2014. A decisão foi revertida judicialmente em 2015, permitindo que ele concluísse o mandato.
Em decorrência do falecimento, a Câmara Municipal de Campo Grande publicou um decreto estabelecendo luto oficial de três dias, com o hasteamento das bandeiras a meio-mastro. Cenário MS

























