
Uma área que até poucos anos atrás era ocupada por pastagem hoje apresenta uma floresta em desenvolvimento, com árvores que chegam a 15 metros de altura, e o retorno de espécies emblemáticas da fauna brasileira. A transformação é resultado do projeto de compensação ambiental desenvolvido na Estação Ecológica Mico-Leão-Preto, em Marabá Paulista.
Iniciado em 2018 como parte das medidas compensatórias pelas intervenções realizadas durante as obras de duplicação da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), o projeto conduzido pela Cart (Concessionária Auto Raposo Tavares) recuperou uma área de 149 hectares por meio do plantio de aproximadamente 200 mil mudas de espécies nativas da região. A área equivale a 209 campos de futebol e é praticamente o espaço do Parque Ibirapuera.
“Mais do que cumprir uma exigência ambiental, a iniciativa restaura uma área degradada e cria uma conexão entre fragmentos florestais, ampliando as condições para deslocamento e abrigo da fauna silvestre, especialmente do mico-leão-preto, um dos primatas mais raros e ameaçados de extinção do mundo, cuja ocorrência está restrita a poucas localidades do interior paulista”, aponta a concessionária.
“Passados alguns anos desde o início do reflorestamento, o cenário é completamente diferente. Onde antes predominava o pasto, hoje a vegetação forma um corredor ecológico que conecta áreas de mata nativa. A floresta segue em desenvolvimento, com regeneração natural e árvores que alcançam entre 10 e 15 metros de altura”, acrescenta.
Retorno dos animais
O resultado também pode ser observado pelo retorno da fauna. Monitoramentos realizados pelo IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) registram a presença de espécies como onça-pintada, onça-parda e anta, entre outras. Sobre o mico-leão-preto, há evidências de aproximação desses animais à área recuperada, evidenciando o bom desenvolvimento da área e a retomada das funções ecológicas do ambiente.
O projeto é acompanhado pelo IPÊ, responsável pelos programas Corredores da Vida e Conservação do Mico-Leão-Preto, e contou ainda com a participação da Fundação Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo). O reflorestamento foi desenvolvido em conformidade com a legislação ambiental vigente, utilizando exclusivamente espécies nativas da vegetação regional, incluindo espécies de importância para a conservação da biodiversidade.
Muito além do plantio
Segundo o coordenador de Meio Ambiente da Cart, Murilo Pires dos Santos, a recuperação da área demonstra que os resultados da compensação ambiental vão muito além do plantio de mudas.
“Quando observamos a conexão formada entre os fragmentos florestais e o retorno de espécies importantes da fauna, percebemos que o projeto alcançou seu principal objetivo: devolver funções ecológicas a uma área antes degradada e contribuir efetivamente para a conservação da biodiversidade regional”, avalia.
Embora grande parte da área já apresente resultados expressivos, o trabalho continua. Atualmente, outros 64 hectares permanecem em fase de manutenção, assegurando o desenvolvimento da vegetação e a consolidação do processo de recuperação ambiental, pontua a Cart. AMN/O IMPARCIAL

























