Inflação em alta e problemas nas cadeias travam grandes descontos na Black Friday

A inflação em alta, o câmbio e os problemas de abastecimento em algumas cadeias devem travar os descontos oferecidos por lojas na Black Friday deste ano. Com famílias endividadas e o mercado de trabalho reagindo de forma lenta, a expectativa de economistas é que o ticket médio também seja inferior ao de 2020.

“Os descontos claramente serão menores. Os empresários estão com margem de lucro apertada, o consumidor está endividado, e esse cenário será desafiador para o varejo conceder o desconto que o cliente espera”, afirma Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP.

Algumas projeções para a Black Friday, incorporada no calendário do varejo desde 2010, também indicam mudanças na cesta de consumo. As vendas em categorias de eletrônicos e eletrodomésticos, que historicamente têm boa saída, devem desacelerar, à medida que as famílias trocaram de aparelhos durante os períodos de restrição social da pandemia.

Projeção da CNC (Confederação Nacional do Comércio) mostra aumento da participação de segmentos como vestuário e itens de cuidados pessoais. Deve crescer o consumo voltado para bens semiduráveis e não duráveis, o que pode beneficiar o setor supermercadista.

No ano passado, a Black Friday impulsionou em 3% o faturamento do varejo em novembro, sendo 30% no comércio online. A expectativa é que as vendas digitais permaneçam altas, mas o setor avalia que não há mais a corrida por compras na internet como no primeiro ano de Covid-19.

“Além da inflação, não podemos esquecer dos juros altos ao consumidor, que estão em patamar diferente do evento de 2020, quando a Selic [taxa básica de juros] batia um piso histórico”, afirma Fabio Bentes, economista do CNC. Ele pontua que os produtos mais procurados frequentemente são vendidos a prazo, e que as parcelas estarão mais pesadas.

JBr

08;50:02

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