
“E hoje o que encontrei me deixou mais triste
Um pedacinho dela que existe
Um fio de cabelo no meu paletó
Lembrei de tudo entre nós, do amor vivido
Aquele fio de cabelo comprido
Já esteve grudado em nosso suor”
Há 41 anos, Chitãozinho e Xororó realizavam um grande show no Ginásio de Esportes de Presidente Venceslau. Este anúncio, publicado pelo jornal Integração, é um dos poucos registros da passagem dos artistas pela cidade. O show foi em 3 de novembro de 1985.
A apresentação foi promovida por meio de uma parceria entre o locutor sertanejo Osmar Pacito, da Rádio Presidente Venceslau AM, e a empresa Projeção Publicidade e Propaganda, que pertencia aos também radialistas José Roberto Dantas Oliva e Antonio Carlos Moré.
Naquele período, Chitãozinho e Xororó eram os principais expoentes da nova música sertaneja. A dupla estava no auge do sucesso com “Fio de Cabelo” e alcançava números expressivos com os discos Somos Apaixonados, de 1982, e Amante, de 1984.
O álbum Somos Apaixonados trazia “Fio de Cabelo”, canção que se tornou a principal referência do repertório apresentado em Presidente Venceslau. O disco vendeu mais de 1,5 milhão de cópias, uma marca extraordinária para a época.
O estilo romântico e “abolerado” de Chitãozinho e Xororó, repleto de histórias sobre amores proibidos, separações e grandes paixões, conquistou as emissoras de FM e colocou definitivamente a nova música sertaneja nas principais paradas de sucesso do país.
A enorme popularidade da dupla motivou José Roberto e Toninho Moré a se unirem a Osmar Pacito para promover o show em Presidente Venceslau. Foram meses de muito trabalho e esforço conjunto para divulgar o evento e levar o maior número possível de pessoas ao ginásio.
Vivíamos um período de inflação elevada e a moeda brasileira era o cruzeiro. O ingresso para o show custava 15 mil cruzeiros. A fase que antecedeu a apresentação foi um verdadeiro sufoco e representou uma experiência completamente nova para nós.
Finalmente, o grande dia chegou. O ginásio ficou lotado e o evento alcançou o resultado esperado. Financeiramente, tivemos um lucro razoável. No entanto, pelo menos de minha parte, a experiência nos bastidores não foi das mais agradáveis. Os dois artistas não demonstraram muita simpatia, e certo estrelismo já rondava a dupla.
Outra cena curiosa envolveu o pagamento do cachê. Como o cruzeiro estava muito desvalorizado, grandes quantidades de dinheiro precisavam ser transportadas em sacos. Era uma situação estranha e até difícil de compreender nos dias atuais.
Apesar de tudo, o show foi realizado com sucesso. A única pena é que, naquele tempo, não tínhamos consciência da importância de registrar cuidadosamente aqueles momentos para o futuro. Hoje, restam poucas imagens daquela noite histórica. O próprio anúncio publicado no jornal, com sua produção gráfica simples, revela como os recursos de divulgação eram modestos naquela época.
Mesmo assim, esse material permanece como uma lembrança valiosa de um grande acontecimento na história cultural de Presidente Venceslau do qual temos orgulho de ter realizado e participado. AMN

























