Remédios contadores de histórias
Uma das maneiras de descobrir alguma coisa sobre alguém é pelas redes sociais. Embora, convenhamos, ali haja mais aparência do que realidade. Daí que, pensando em beneficiar quem tem gosto de saber da vida alheia, perseverei e pensei em um método bem mais eficiente: remédios. Antes de fazer cara de “não entendi”, siga o raciocínio.
Quem está tomando Mounjaro, por exemplo, não está contente com seu visual, quer emagrecer… ou tem diabetes. De um jeito ou de outro, a dieta da pessoa vai ser importante no relacionamento. Já o sujeito que engole fluoxetina ou escitalopram todos os dias talvez não esteja exatamente pensando em cair na balada todo fim de semana… Certeza, né?
Acompanhou a lógica? Então me diga: paciente a quem foi receitado losartana ou propranolol não pode… o quê, o quê? Não pode passar nervoso, senão é infarto na hora. Ou seja, é alguém com quem não se pode discutir muito sem correr o risco de matá-lo. E por aí vai: tadalafila, antidiarreico… cada comprimidinho desses diz muito…
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O embrião desse método, dessa ideia, surgiu quando a Ana Lúcia criou um grupo de WhatsApp com colegas da faculdade, cursada lá nos anos 80. Como fazia décadas que muitos não se viam, propus que cada um dissesse quais remédios tomava, argumentando que seria uma maneira rápida de contar como a vida tinha tratado cada um nesse intervalo, bem como a disposição de cada qual para novas aventuras. Mais uma ideia minha que teve péssima receptividade, claro.
Disseram alguns que seria excesso de franqueza. E talvez fosse mesmo.
A despeito disso eu vou encarar , vou me expor: uso dois medicamentos e uma vitamina para não ficar careca (pelo menos não tão logo), pingo um colírio para não ficar cego (pelo menos não tão cedo), dois remédios para ……… e um para diminuir a ………… Agora, se quiser que eu complete os pontinhos, é só você que me lê me contar os seus. Topa?
ALEMÃO TEDESCO
Advogado

























