
SÓ FUI CAPAZ DE ME SENTIR VIVO APÓS MORRER INÚMERAS VEZES
Morrer não é privilégio de quem parte; existem muitas formas de morrer, sobreviver e renascer durante a vida.
Morremos quando uma certeza desaba, alguém vai embora, um sonho se desfaz ou precisamos abandonar uma versão de nós mesmos que já não consegue acompanhar quem estamos nos tornando. A vida se assemelha a uma frase escrita enquanto acontece. Tem vírgulas para respirar, parênteses para guardar desvios, interrogações para nossas dúvidas, pontos e vírgulas entre terminar e prosseguir e reticências para aquilo que ainda não sabemos concluir.
Quantas vezes pensamos ter chegado ao ponto final? E continuamos.
Como o gato de muitas vidas, caímos, recompomo-nos e seguimos; diferentes, marcados, mas vivos. Envelhecer talvez seja também isso: acumular despedidas sem perder a capacidade de recomeçar.
Até descobrirmos que sentir-se vivo não significa nunca ter morrido por dentro.
Significa perceber, depois de cada fim, que ainda existe uma frase esperando para continuar sendo escrita.
“Algumas mortes não encerram a vida; apenas retiram dela aquilo que já não sabia continuar.”
_Lourival Mendes Magalhães
_21º45’59”S_52º06’19”O_

























