
O QUE OS ESTILHAÇOS ESCONDEM
O óbvio talvez seja uma das coisas mais difíceis de enxergar. Parece tão evidente que raramente lhe concedemos um segundo olhar. O espelho também funciona assim: mostra uma imagem e nos convence de que mostrou tudo. Não mostrou.
Na vida, podemos amar e ainda assim precisar partir. Podemos desejar ficar e compreender que permanecer já não nos faz bem. Nem toda suposta verdade liberta; algumas precisam primeiro ser interrogadas.
Quando a irresignação busca ressignificação, mudanças podem provocar estilhaços. E diante deles costumamos lamentar aquilo que quebrou, sem perguntar se já estava quebrado antes de ouvirmos o barulho.
Depois chegam as decepções.
Talvez uma das mais dolorosas seja aquela que provocamos em nós mesmos: permanecer onde sabíamos não caber, adiar aquilo que importava ou enxergar sinais e preferir ignorá-los. Não é culpa. É consciência.
Os males da vida muitas vezes parecem mosquitos rondando entulhos. Afugentá-los será inútil enquanto permanecer aquilo que os atrai.
Alguns resquícios foram deixados por outros. Outros acumulamos nós mesmos.
Ressignificar é procurar ambos.
Remover o que perdeu função.
Preservar o aprendizado.
E seguir.
“Nem sempre precisamos combater aquilo que nos incomoda; algumas vezes precisamos remover aquilo que continua alimentando sua existência.”
_Lourival Mendes Magalhães
_21º45’59”S_52º06’19”O

























