NADA SEMPRE SE FEZ E SE FAZ PRESENTE, SEMPRE…
Talvez uma das maiores ilusões da existência seja acreditar que o tudo nos pertence.
Não pertence.
Na verdade, ele apenas nos visita.
Do absoluto, uma única certeza: o nada é para sempre e sempre vai existir; o tudo é efêmero, um lapso temporal sobre o qual pouco domínio nós temos.
A afirmação parece contraditória. Afinal, aprendemos desde cedo a celebrar aquilo que existe e a temer aquilo que falta. Construímos cidades, acumulamos conhecimentos, cultivamos afetos, erguemos patrimônios e imaginamos que tudo isso desafia o tempo. No entanto, basta um olhar mais atento para perceber que nada permanece exatamente como chegou.
Tudo muda.
Tudo passa.
Tudo se transforma.
Talvez o único elemento verdadeiramente permanente seja justamente aquilo que costumamos chamar de vazio.
Antes da primeira palavra, havia silêncio.
Antes da primeira construção, havia espaço.
Antes da primeira escolha, havia possibilidade.
O nada nunca precisou ser criado. Sempre esteve presente, aguardando que alguém lhe desse forma.
Por isso, o nada é nada, está em todas as perspectivas; e o tudo nós precisamos construir para que ele seja tudo.
Essa talvez seja a responsabilidade mais bonita da condição humana.
O nada é eterno por natureza; o tudo só existe enquanto alguém decide construí-lo com sentido.
_Lourival Mendes Magalhães_
21º45’59”S_52º06’19”O

























