Quando ajudar é saber esperar
Existe uma tentação silenciosa que acompanha quase todos os gestos de cuidado: a vontade de aliviar o caminho de quem amamos. Queremos evitar lágrimas, abreviar esperas, remover obstáculos, antecipar conquistas. Agimos movidos pelo afeto, acreditando que toda suposta dificuldade é um problema a ser eliminado. Nem sempre é.
A própria natureza parece ensinar isso com uma simplicidade desconcertante. Se o ovo se rompe por força exterior, a vida termina; mas se ele se rompe por uma força interior, recomeça a vida. Não é apenas a casca que se rompe. É a maturidade que se manifesta.
O mesmo acontece com a borboleta. O esforço para romper o casulo não é um acidente do percurso; é parte indispensável da sua formação. Quem, movido pela compaixão, decide abrir o casulo antes do tempo, acreditando estar ajudando, interrompe exatamente o processo que fortaleceria suas asas. A boa intenção, quando ignora o tempo da vida, pode produzir consequências opostas às que desejava evitar.
Também acontece com a semente. O broto não permanece oculto porque desconhece o caminho da superfície. Ele permanece ali porque ainda está construindo as condições necessárias para sustentá-lo. Retirá-lo dali antes do tempo não acelera seu crescimento; apenas o condena à fragilidade.
Até uma planta nos lembra que o excesso pode ser tão destrutivo quanto a ausência. Quem muito a rega não demonstra apenas cuidado; pode, sem perceber, sufocar suas raízes.
Talvez porque a vida possua uma lógica que frequentemente contraria nossa ansiedade: Há conquistas que nenhum auxílio pode entregar, porque pertencem ao instante em que a força deixa de vir de fora e finalmente desperta por dentro.
_Lourival Mendes Magalhães_
21º45’59”S_52º06’19”O

























