
O galinho sumido e outro mistério
Algumas coisas somem, do nada, e não se sabe como e quando isso aconteceu, e não estou falando dos óculos que a gente passa o dia inteiro procurando e, no final da tarde, descobre que ele estava na nossa cara. Literalmente.
Vamos ao exemplo: quando e porque deixaram de existir os “galinhos” que previam chuva? O leitor não sabe do que estou falando? Me refiro aqueles “galinhos” de vidro, de cristal ou de espuma, cuja cor dos rabos e cristas mudava de azul para roxo quando ia chover. A benfazeja leitora lembrou? Não?
Tudo bem que não se lembre, porque pode ser que eles tenham desaparecido antes do nascimento de boa parte dos nossos sete leitores, mas que eles, assim como os pingüins de geladeira, existiam em praticamente todas as casas, isso existiam. Mas continuamos sem saber por que, e mesmo quando, eles desapareceram.
Outro desaparecimento lamentável, embora mais facilmente explicável, foi o das cercas de madeira usadas para separar terrenos e casas (hoje substituídas pelos duros e nada simpáticos muros de tijolos), como aquela torta, frágil e baixíssima cerca que separava a casa dos meus pais da casa do seu Nelson e da dona Ana Amaral. Ainda que explicável o desaparecimento (motivos de segurança, dizem), fica a dúvida: quando foi que elas deixaram de existir?
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Nostalgias à parte, quero dividir com os poucos e bons que acompanham essas linhas, dois acontecimentos que me deixaram com a pulga atrás da orelha.
O primeiro deles teve lugar quando um religioso abençoava um local de oração e tudo o que ali existia. Cumprida a tarefa, o padre entendeu por bem abençoar também as pessoas que ali estavam e passou então a aspergir água benta nos presentes, uma “dose” em cada pessoa, e assim se fez até que chegou a minha vez, quando nada menos que três “doses” foram em mim aspergidas, o que surpreendeu tanto a mim quanto as pessoas à minha volta. Porém, como o dia estava muito quente, acabei entendendo aquilo como um agrado para aliviar o calor, talvez até mesmo uma predileção, o que, naquele momento, muito me orgulhou.
Entretanto, alguns dias depois, por ocasião do velório de uma amiga, outro religioso, após dar as últimas bênçãos à falecida, se achegou ao local onde eu me encontrava conversando com conhecidos e, após breves e doces palavras, aspergiu água benta em mim. Só em mim. Quatro doses. Desde então deixei de crer em predileção e passei a acreditar que possa ser um aviso. Mas aviso de que? Não há de ser coisa boa, certamente.
ALEMÃO TEDESCO
É advogado

























