
“Céu de setembro”
Dizem que perfumes e músicas marcam. Lembram pessoas, momentos da vida, ocasiões especiais inesquecíveis na história de cada indivíduo. Eu, particularmente, tenho minha playlist íntima. Cantores e canções que aprendi a gostar através de gente que fez parte da minha vida e que, de certa forma, influenciaram no meu gosto musical. Mas há também aqueles intérpretes que aprendi a gostar por conta própria, bem como músicas que lembram algumas passagens ao longo destes quarenta e oito anos vividos.
Uma destas músicas é “Céu de setembro”, interpretada por Rick e Renner. Gravada em 1998, composta por Alexandre e Roberto Merlin, fui conhecê-la no ano de 2000, numa excursão até Aparecida, junto com meu irmão, em agradecimento à aprovação em concurso público. No trajeto de ida, descemos em um famoso posto de combustíveis próximo a Santa Cruz do Rio Pardo, numa madrugada fria, com cerração. Havia muita gente encapotada com suas blusas de frio, o aroma de diesel dos ônibus nas plataformas, o burburinho e, no serviço de som, a tal música.
Ainda sonolento e feliz pelo momento que eu estava vivendo, adorei a letra, a melodia e a interpretação. Era a música certa para os intérpretes certos. Fiquei curtindo a música na plataforma antes de adentrar a conveniência do posto. E, de lá para cá, ouço a melodia vez ou outra, sendo que, em setembro do ano passado, postei a mesma em minha rede social, em um vídeo de imagens aéreas sobrevoando Presidente Venceslau.
Admiro a discografia do artista, pois Rick é de uma época em que as duplas sertanejas tinham autenticidade e assinatura, diferente do que vejo hoje. Não bastasse a boa música, o saudoso artista tinha um estilo de vida bacana, familiar, estável, que serve de exemplo para as novas gerações, mais atreladas ao glamour, ao frenesi, à ostentação. Foi casado com a mesma esposa por quarenta anos, união que só a morte separou.
Compôs uma música tão linda quanto emblemática para a filha, quando ela completou quinze anos. Enfim, foi um cara que manteve as bases familiares e não se corrompeu pela perigosa vaidade impulsionada pela fama e pelo dinheiro. Insistiu na parceria e amizade com o Renner, ainda que o amigo tivesse um estilo de vida totalmente diferente do seu e causado alguns problemas na dupla. Não foi apenas um artista notável, mas deixa um grandioso legado enquanto homem.
“Dizem que a saudade mata, mas eu não morri.” Esta é uma das frases mais bonitas da música “Céu de setembro”. Pois é, Rick, você não morreu, pois já está imortalizado na música brasileira. Mas, sim, vai deixar saudades…
NANDO FREITAS
Funcionários público estadual

























