
O TEMPO QUE NÃO FOI VIDA
Estava com pressa. Não sabia exatamente para quê, mas estava.
Alguém me chamou, sentado numa calçada. Pensei em dizer que não tinha tempo. Mas sentei.
Conversamos, rimos, recordamos histórias. Nada extraordinário aconteceu. Ainda assim, quando me levantei, percebi que aquele encontro havia sido um dos momentos mais preciosos do dia.
Vivemos procurando conquistar aquilo que imaginamos necessário para sermos felizes. E, muitas vezes, adiamos justamente a vida que essas conquistas deveriam proporcionar.
O problema não é desejar possuir alguma coisa. É esquecer o que desejávamos viver quando começamos a procurá-la.
Não é preciso desprezar o trabalho, os projetos ou as realizações. Basta reconhecer que nem tudo o que tem valor pode ser comprado, acumulado ou guardado.
O querer bem não responde a ordens nem aceita tabelas de preço. Pode surgir inesperadamente, mas sua permanência pede presença, respeito e cuidado. Não possuímos as pessoas que amamos. Temos, quando muito, a oportunidade de participar de suas vidas enquanto nossos caminhos se encontram.
Às vezes, o que mais importa acontece numa calçada, durante uma conversa sem compromisso. “O tempo conta os dias que atravessamos; a vida se revela naquilo que conseguimos verdadeiramente viver.”
LOURIVAL MENDES MAGALHÃES
_21º45’59”S_52º06’19”O

























