
Por que o rádio me fascinou?
Sou da geração dos anos 60, época em que a televisão no Brasil ainda não era uma unanimidade de audiência. O rádio, sobretudo em ondas médias e curtas, dominava o meu universo de informação e entretenimento.
Acho que nasci ouvindo rádio por conta do meu pai, um libanês que aprendeu um pouco da língua portuguesa através desse veículo de comunicação. Ele gostava de Pelé e, por sua influência, virei santista. Com o rádio sobre o colo, meu pai corria o dial em busca das transmissões dos jogos em que Pelé atuava. Era o mágico time do Santos, que encantava o mundo. Aos domingos, nos jogos das 16h, quando o Santos jogava, eu ficava com meu pai ouvindo as transmissões, numa época em que a narração de Fiori Gigliotti começava a despontar pela Rádio Bandeirantes.
Segui ouvindo ao longo da minha adolescência e juventude o famoso “Cantinho da Saudade”, um quadro em que Fiori homenageava ídolos do passado do esporte bretão.
Como também gostava de ouvir música, o rádio guiou minhas preferências e o cultivo dos ídolos de então: a Jovem Guarda que surgia, com Roberto, Erasmo e Vanderleia, principalmente; os Beatles — por influência da minha irmã Rosa, uma beatlemaníaca — e, posteriormente, a MPB, que me fez enxergar o valor estético e cultural da nossa música.
Com o advento das ondas de FM (Frequência Modulada), minha fidelidade ao rádio se intensificou. Com a qualidade sonora e os nomes que surgiam na linha evolutiva da MPB, fiquei ainda mais extasiado e apaixonado.
No curso de jornalismo que concluí na UEL (Universidade Estadual de Londrina), o rádio também esteve muito presente na minha formação. Fiz estágio em duas emissoras londrinenses: as rádios Londrina e Alvorada, ambas AM à época.
Não posso deixar de mencionar o jornalismo das grandes emissoras: Joelmir Beting e seus comentários sobre economia nos finais de tarde; José Paulo de Andrade e seu “O Pulo do Gato”; o jornalismo cultural na voz de Fausto Canova, que era um exímio conhecedor de música internacional e instrumental; e Maurício Kubrusly, que apresentava um programa na extinta Rádio Excelsior chamado “O Senhor Sucesso”, onde destacava a MPB de maneira informativa e descontraída.
Mas, sem dúvida, a Rádio Presidente Venceslau AM teve uma grande influência na minha formação. Ouvi muito o jornalismo da emissora nas vozes de Moacyr Bento, Clóvis Moré, Luiz Augusto e José Roberto Dantas Oliva, principalmente. Assim como curti os programas de auditório comandados pelo saudoso Osmar Pacito.
Com o surgimento da Jovem Som, a primeira emissora FM da cidade, Presidente Venceslau notabilizou ainda mais o seu pioneirismo no rádio. Ela agregou qualidade à programação e ao jornalismo, trazendo profissionais que até hoje são reconhecidos, sobretudo graças à perseverança e à capacidade de Antônio Carlos Moré.
Ao longo dos anos, diversas figuras desfilaram pelos microfones radiofônicos venceslauenses; cometeria uma injustiça se deixasse de citar nomes por mero lapso de memória.
Hoje, em plena era digital, fica uma saudade imensa do veículo que “fez minha cabeça”. O rádio marcou minha vida e, por causa dele, decidi pela profissão que abracei. Mesmo com essa paixão, minha passagem profissional pelo rádio foi efêmera, porém contemplativa e de profunda admiração por este veículo que nasceu pelas mãos do italiano Guglielmo Marconi, em 1896.
Que viva o rádio!!!
JAMIL TANNOUS
Jornalista e Músico

























