
Jornalismo é para quem importa
Absolutamente, o título deste texto merece uma reflexão. A atividade que abracei por mais de três décadas é muito mais do que ofício. É, sobretudo, um ideal: o de servir à coletividade em busca de promover a justiça social.
Assim, o mister do jornalista deve ser compreendido como uma ação de propósito estimável e necessário. Uma condição de vida para o bem comum.
Em pleno século XXI, na era digital em que se comunica em segundos com todas as partes do planeta Terra, subjugar fatos em favor de narrativas é um risco para a sobrevivência da democracia.
Por que digo isso?
Porque assisto, leio e vejo reações extremistas de quem deveria se preocupar em defender a diversidade. E essas reações abjetas acabam influenciando outras condutas que geram violência, intolerância e ódio.
O jornalismo é uma atividade essencial para a democracia e a sociedade. Ele existe para quem se importa com a verdade, fiscalizando o poder, checando fatos e protegendo o interesse público contra a desinformação.
Quando ministros da Suprema Corte resolvem abordar em julgamento a volta da obrigatoriedade do diploma para o exercício da atividade, suscita-se novamente o debate público a respeito.
No contexto atual, está a discussão sobre a quebra do sigilo da fonte, salvaguardada pela Constituição de 1988 — a mesma Carta Magna sob a qual o STF derrubou a exigência do diploma em um julgamento histórico em 2009.
Essa rediscussão sobre o diploma veio à tona de forma incidental durante um julgamento na Primeira Turma do STF. O pano de fundo envolve investigações sobre um jornalista e blogueiro do Maranhão que publicou reportagens contra o ministro Flávio Dino. Para tentar identificar os informantes, decisões judiciais autorizaram a quebra de sigilo telemático e buscas contra as supostas fontes, o que gerou forte reação de entidades de imprensa em defesa do sigilo profissional.
Ou seja, embora o sigilo da fonte seja uma garantia constitucional para o livre fluxo de informações de interesse público, o entendimento de parte dos magistrados é de que ele não pode servir de escudo oculto para a prática de crimes ou difamações deliberadas.
Nem todo blogueiro é jornalista e vice-versa. Mas, é bom que se diga, independentemente da obrigatoriedade ou não da exigência do diploma, o papel do jornalista é apurar e verificar acontecimentos reais, atuar em defesa da sociedade, dar voz aos fatos que importam e cobrar transparência, assim como combater mentiras e checar dados em um cenário saturado de boatos nas redes sociais.
Por isso, entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) defendem que o preparo técnico e a formação acadêmica superior ajudam a garantir um padrão ético e de responsabilidade com a informação, apoiando tanto uma revisão no STF quanto a aprovação da PEC do Diploma, que tramita no Congresso Nacional.
Com liberdade e no papel de informar, o foco central do ofício continua sendo o compromisso com a realidade e com o direito do cidadão de saber o que acontece ao seu redor.
O desvirtuamento do jornalismo acontece quando o compromisso com a verdade factual é substituído por interesses particulares, como o lucro rápido através do caça-cliques, a militância política ou a propagação deliberada de boatos. Quando a imprensa falha em sua missão de fiscalizar e informar com isenção, ela perde sua autoridade social e deixa um terreno fértil para a desinformação.
JAMIL TANNOUS
Jornalista e Músico

























