O Momento do Texto, com Lourival Magalhães

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Excalibur, a saga segue… da série Páscoa da Minha Vida

“Aquilo que se faz por amor, está sempre além do bem ou do mal.” Nietzsche


Às vezes, me flagro questionando se mereço os filhos que tenho, levanto as mãos aos céus e agradeço pelo prêmio que, gratuitamente, me foi concedido e pelo que isso representa para qualquer ser humano. Graças, graças, graças!

Por conta disso, já escrevi testemunhos sobre os primeiros e agora vou me reportar ao último.

A última gota do vinho, mas não a última uva da cepa da videira que o legado lhe entrega. Minha última obra, o canto do cisne da vida de um pai orgulhoso da herança que consegue deixar: o privilégio de ser pai.

O personagem a que me refiro e que já alça voo por uma vida independente é nascido aqui nesta terra, na poeira do oeste paulista, onde restam indeléveis as pegadas dos originários “ofayés”. Há pouco tempo, concluiu sua formação acadêmica em Direito; dedicando-se a ele, certamente, construirá e terá uma brilhante carreira na sua jornada na profissão e vida.

Sagaz, verbaliza com facilidade, comprometido no que faz, ele é concursado e atua no departamento jurídico em uma empresa pública de economia mista em Presidente Prudente, SP. Faz amigos com singular facilidade e é querido dos seus inúmeros parceiros de infância e de outros que a vida lhe proporcionou, bem como de colegas de trabalho na empresa onde atua. Cada um é cada um, cada um e suas especificidades!

Ainda está no estágio das melhores escolhas que a vivência exige, e como é próprio disso, às vezes comete equívocos, de resto compreensíveis.

Suscetível aos supérfluos, vez ou outra, descuida-se da lógica matemática e vive às turras com seus erros e contas a saldar, consequência da compulsão pelo caminho mais fácil. São os primeiros erros, os primeiros tropeços, muito por conta da insolência juvenil, característica da premência e da presunção com que todos atravessam essa etapa de vida.

Ah! Os erros, os erros! Quem não os cometeu e os comete, mesmo que involuntariamente; fosse eu enumerar os meus, tantos foram que, certamente, precisaria de um catálogo para caber.
Há que se registrar aqui que a criatura, foi aquele com quem mais convivi no mesmo ambiente, no entanto, por uns tempos, foi o mais distante, por conta de inconvenientes assimetrias incidentais na jornada juntos; na qual absorvemos inoportunas e indesejáveis intromissões terceiras, que já não mais vêm ao caso em lugar algum, e menos ainda nessa narrativa, visto que já superadas.

Silêncios e omissões havidas, hoje já não dominam a cena humana, onde perguntar é imprescindível para buscar respostas e entender seus meandros. Na maioria das vezes, errando ou acertando, nós aprendemos. Tudo, nada, tudo certo, são afirmações circunstanciais reféns da perspectiva, e a perspectiva é só perspectiva, é o depois, e o depois não depende de nós. São palavras imperativas e definitivas, daí que, ao assumi-las como princípio, caímos na armadilha da binarização nas inter-relações e, nisso, pesa ter cuidado.

Nem tudo que se diz tudo é tudo; nem tudo o que se diz nada é tudo ou nada, pois o universo é um organismo mutante: um caleidoscópio. Na cena controversa que é o mundo, muitas vezes somos impostos a conviver com verdades omitidas e mentiras consentidas; com erros, uns atribuídos ou por anuência, outros assimilados por contaminação ou assumidos, todos, nem sempre esclarecidos quanto a procedências e suas consequências. De tudo, resta que, não raro, o acerto de hoje foi um erro de ontem.

Quase sempre, depois do silêncio surgem os porquês. Talvez não tenha feito o suficiente, mas fiz o possível e deixo para o mundo exterior o julgamento pertinente; o meu, tenho o direito de ter e já o tenho. Corpo quebrantado, de vez em sempre, recolho-me às “sesteadas nos pelegos velhos” e acordo acalentado com lembranças. Numa oportunidade e dia desses, o protagonista me proporcionou uma das maiores alegrias que tive nos últimos tempos vividos: foi quando uma pessoa, despretensiosa e elogiosamente, me disse da sua educação e refinamento com ela e com outras figuras que afirmou conhecer. Um orgulho para qualquer pai.

Sei que sou introvertido, travado, meio ogro e, assim, sou de poucos abraços; devia ter abraçado mais por minha iniciativa. Quisera poder viver mais tempo e não economizar abraços de carinho a todos os meus filhos. Meus erros, “mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa”!

Caçula, como não poderia deixar de ser, é o “queridinho da mamãe”, por conta disso, sempre busca refúgio no colinho. Esse endereço ele conhece e não esquece! Filho, você conhece o meu endereço e nele estou, se eu não puder estar no seu com a frequência que deveria ter, que eu esteja em seu coração; no meu você está, desde sempre! Extremado e “chatíssimo” são-paulino sofredor, “ele é um dos filhos que é minha Páscoa de todos os dias”.

“Marvin, agora é só você, e não vai adiantar, chorar vai me fazer sofrer; Marvin, a vida é pra valer, eu fiz o meu melhor” … _Titãs. Se amanhã eu for apenas lembranças, quero ser lembranças que não façam ninguém chorar.

VAI GABRIEL, O MUNDO É SEU, TOME POSSE!
Parabéns, pelo tanto de empenho que tem lhe proporcionado êxitos e pelo muito que ainda lhe resta alcançar nos objetivos que, sei, já os têm traçados. Não permita que influências alheias internas e externas sejam obstáculos ou lhe cause postergações impertinentes.

Empunhe, segure a Excalibur e defenda o legado Magalhães para o mundo, a saga segue, não é cega e não seca! De vez em quando, olhe para o céu localize a constelação Cruzeiro do Sul, nela, a estrela mais brilhante é a denominada Magalhães que, além da cintilância, haverá de doar inspiração para sua vida.

Queira Deus que a Luz Divina não falte à sua vida, e que Ele te cubra e o consagre com nuvens pacíficas de prodigiosas e eternas bênçãos; as minhas você já tem, ainda que modestamente no efeito, mas gigantes no propósito.

Paz e Bem, Sempre!

_Lourival Mendes Magalhães_à unha, Sir MacAillia
_08/08/08/2026_21º45’53″S_52º06’19″O

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