
Jornalismo está em extinção?
Quando iniciei o curso de Comunicação Social em 1981, na UEL (Universidade Estadual de Londrina), havia, sim, uma grande procura pela habilitação em Jornalismo. Na minha época, a UEL tinha também a habilitação em RP (Relações Públicas). Preferi Jornalismo porque gostava de rádio, sobretudo na área de esportes.
Concluí o curso em 1985, no entanto minha experiência com rádio foi efêmera. Fiz alguns estágios na Rádio Londrina e na Rádio Alvorada, ambas de frequência AM e, posteriormente, já formado, tive uma rápida passagem pela Rádio Presidente Venceslau AM, como comentarista esportivo.
À época, paralelo ao rádio, fiz free-lance no Jornal Integração, primeiro com José Roberto Dantas Oliva, como editor-chefe, e depois com Moacir Bento (em memória), então proprietário.
Mas foi o jornalismo impresso que acabou norteando minha vida profissional até minha aposentadoria, em 2023. Um período no qual vivenciei a transformação do jornalismo analógico para o digital.
Acompanhei desde a máquina de linotipo, com uso de chumbo para composição de textos e impressão direta, passando pelo sistema off-set e impressão indireta — ainda em vigor e resistindo à tecnologia —, até o surgimento do webjornalismo.
Ressalta-se que a transformação do jornalismo do século 20 para o 21 exigiu uma adaptação profunda nas formas de apurar, produzir e distribuir notícias. O foco mudou da massificação para a hiperpersonalização, interatividade e uso massivo de inteligência artificial.
No século 20, a comunicação era linear (um emissor para muitos receptores) por meio de jornais, revistas, rádios e TVs.
No século 21, o webjornalismo transformou o leitor em um produtor de conteúdo, permitindo comentários, compartilhamento e engajamento em tempo real. A rigidez dos horários de fechamento (“horários nobres” ou edições impressas matinais) foi substituída pelo fluxo contínuo. A regra atual prioriza a publicação imediata na internet, seguida por atualizações, correções e apurações progressivas.
Por outro lado, a dependência exclusiva da venda de exemplares físicos e publicidade em massa deu lugar aos modelos de paywall (mecanismo digital que restringe acesso ao conteúdo exclusivo de um site ou plataforma), assinaturas digitais, financiamento coletivo e monetização por algoritmos em plataformas digitais.
O jornalista do século 20 atuava em uma mídia específica: somente impresso, somente TV, rádio, revista ou assessoria de imprensa. Hoje, a narrativa é transmídia e exige que o profissional conte histórias integrando textos, vídeos curtos, podcasts, infográficos interativos e transmissões ao vivo.A apuração passou a envolver o jornalismo de dados (cruzamento de grandes bases de dados públicas e privadas) e ferramentas de IA generativa, que auxiliam na pesquisa e no resumo de documentos complexos, exigindo novas diretrizes éticas e de verificação.
Com a facilidade de criação de portais, essas mudanças, porém, permitiram a proliferação de desinformação nas redes sociais. Isso criou um desafio para a checagem de fatos, transformando a busca por fontes confiáveis no principal valor de mercado e pilar civilizatório das empresas jornalísticas.
Nesses novos tempos, com a proliferação de influenciadores, blogueiros e produtores de conteúdo, ainda há espaço para o jornalista?Qual o futuro desta atividade profissional que, desde de 2009, não exige mais diploma para o seu exercício?Essas questões precisam ser respondidas, até porque os cursos de jornalismo estão deixando de ser presenciais para se tornar graduações à distância (EAD).
JAMIL TANNOUS
Jornalista e Músico

























