
Não tenho acompanhado as redes sociais da prefeita Bárbara Vilches, mas um venceslauense chamou minha atenção para uma série de vídeos que ela vem publicando no Instagram. Neles, a prefeita aparece diante de um painel que lembra aqueles utilizados em filmes policiais americanos, com fotos, anotações e linhas interligando personagens, como se estivesse conduzindo uma investigação. Entre as imagens estão vereadores, inclusive parlamentares da oposição, enquanto ela faz comentários sobre a atuação da Câmara.
O objetivo da série parece ser explicar aos seus seguidores a sequência de projetos do Executivo que vêm sendo rejeitados desde que o governo perdeu a maioria no Legislativo. No primeiro mandato, a prefeita contou com ampla base de apoio e teve facilidade para aprovar suas propostas. Neste segundo mandato, o cenário político mudou, exigindo uma postura diferente de quem ocupa o cargo mais importante do município.
Os vídeos revelam um estilo de enfrentamento político. Em vez de buscar aproximação com os vereadores que pensam diferente, a estratégia parece ser a de transferir o debate para a opinião pública, estimulando seus seguidores a enxergar a oposição como responsável pelos impasses administrativos.
Há, porém, um aspecto que merece reflexão. Bárbara demonstra competência administrativa e realiza um bom trabalho à frente da Prefeitura. Entretanto, sua relação com quem diverge de suas posições frequentemente é apontada como difícil. Na política, administrar bem é apenas parte da missão. Construir pontes, dialogar e reunir diferentes visões em torno de objetivos comuns talvez seja o maior desafio de qualquer governante.
Se há resistência na Câmara, o caminho mais produtivo dificilmente será o confronto permanente pelas redes sociais. O papel de um líder político é justamente sentar à mesa, conversar, negociar, esclarecer dúvidas e buscar consensos possíveis. Divergências fazem parte da democracia; transformá-las em conflitos permanentes raramente produz bons resultados.
O tempo passa rápido. Daqui a dois anos, a prefeita deixará o cargo e voltará à condição de cidadã, como acontece com todos os agentes públicos. A política é passageira, mas as relações pessoais permanecem. Acumular adversários pode ser uma estratégia de curto prazo, porém dificilmente representa um legado positivo.
Não por acaso, a política é frequentemente definida como a arte do diálogo e da construção de consensos. Aristóteles já a descrevia como a arte de governar a cidade em busca do bem comum. Séculos depois, Fernando Henrique Cardoso escreveu que “a política não é a arte do possível, mas a arte de tornar o possível necessário”. Luiz Inácio Lula da Silva também costuma destacar que fazer política é superar impasses e construir entendimentos entre interesses divergentes.
Como jornalista, a prefeita conhece princípios fundamentais da profissão: o compromisso com o interesse público, o estímulo ao debate qualificado, o respeito às diferenças e a responsabilidade de contribuir para um ambiente de diálogo. Esses mesmos valores também fortalecem o exercício da boa política.
Talvez seja o momento de abrir ainda mais as portas do gabinete, ouvir opiniões divergentes, dialogar com os vereadores, explicar projetos, acolher sugestões e, quando necessário, reconhecer equívocos ou conceder o perdão. A política produz seus melhores resultados quando é construída com respeito, inteligência e disposição para o entendimento.
Brigar hoje, amanhã e depois de amanhã pode render manchetes e engajamento nas redes sociais. Construir pontes, entretanto, costuma deixar resultados mais duradouros para a cidade e para todos aqueles que dela fazem parte. TONINHO MORÉ

























