
Sabor churrasco
Lado A
Dias atrás, conversando com um padre (não era confissão), surgiu o assunto da artificialidade dos relacionamentos e dos afetos que, na modernidade, tendem à superficialidade: são rasos como pires de xícara e papo de elevador, numa aparente contradição com o engajamento fervoroso das pessoas nas discussões havidas no mundo virtual das redes sociais, onde todos têm posições firmes e propósitos nobres… que duram até o exato momento em que se faz necessário levantar a bunda do sofá.
Lado B
Tem comida com recheios variados, como o pastel, que tem de carne, de banana, de brócolis; tem também a pizza, que pode ser portuguesa, de palmito, de bife ao molho rosê. Até aí, de boa na lagoa.
A minha estranheza, embora pareça estranho ainda estranhar alguma coisa neste mundo, é que surgiu uma categoria de comida que não tem recheios diferentes: é a própria comida que tem sabor diferente do gosto dela. O caso mais emblemático, para mim, é o da batata. Está lá, na prateleira do supermercado: batata sabor churrasco; batata sabor amendoim; batata sabor camarão fresco, rúcula…
Faixas extras
Perguntas que podem cair na prova: alimentos artificiais são sintomas de afetos superficiais ou o contrário? Qual veio primeiro? Só eu acho isso esquisito?
JOSÉ CARLOS BOTELHO TEDESCO (Alemão Tedesco)……
Advogado
PS 1 Reúna dez grupos de WhatsApp, desses criados para resolver os problemas do mundo, onde todos tem solução para tudo, e faça o seguinte convite: realizar um mutirão de limpeza da margem do rio. Se aparecerem, espontaneamente, cinco pessoas, eu pago uma batata sabor rúcula para todo mundo.
PS 2 Com relação aos alimentos modernos, ainda prefiro o antiquado ‘Reviro do Espanhol’ que, aliás, faço toda segunda-feira, em casa. Tá afim? Apareça

























