Um levantamento inédito do Sindifisco Nacional revelou que os super-ricos brasileiros, com ganhos mensais acima de 320 salários mínimos (cerca de R$ 5 milhões em 2023), pagam proporcionalmente menos da metade do Imposto de Renda (IR) que a classe média, cujo rendimento varia entre 5 e 30 salários mínimos (R$ 79 mil a R$ 475 mil por ano).
Segundo o estudo, a alíquota efetiva — percentual da renda total efetivamente pago em IR — dos milionários caiu de 6,9% em 2007 para 4,34% em 2023, enquanto a classe média teve aumento de 6,3% para 9,85% no mesmo período. O recuo para os mais ricos se deve principalmente à alta parcela de renda proveniente de dividendos, isentos de imposto desde 1996, que cresceu mais rápido que a renda total, especialmente após a pandemia.
Por outro lado, a classe média foi mais tributada devido ao congelamento da tabela do IR, que não acompanha a inflação, fazendo com que trabalhadores subam de faixa e paguem proporcionalmente mais, mesmo sem aumento real no poder de compra.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva propôs uma reforma do IR, prevista para votação na Câmara em 1º de outubro, que pretende criar imposto mínimo de até 10% para milionários e elevar o limite de isenção para rendas mensais de até R$ 5 mil, buscando equilibrar a tributação entre diferentes faixas de renda.









