Lourival Magalhães escreve; “A idade dos anjos na jornada das calendas”

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Crônica
A IDADE DOS ANJOS NA JORNADA ÀS CALENDAS


A vida — havida, nascida, ávida, atrevida, vivida, vívida, escondida, contida, omitida, impedida, reprimida, deprimida, traída, cuspida, etc. — e, afinal, exaurida, vencida, morrida, se vai sem despedida.

Enquanto ainda escrevemos o rascunho da existência, projetamo-nos na expectativa do horizonte, onde se abre uma nova era — a Idade dos Anjos e a Jornada às Calendas. Assim espero.

A vida é breve, mas cabe nela tudo: o riso, a dor, o amor, o sonho… — Cecília Meireles assim recita.

Da vida, o porquê do por quê, ou o por que do porque, ainda não sei — mas continuo tentando, não sei por quê. Nesse enigma em que, quanto mais vivemos, mais perguntas temos e menos respostas obtemos.

A fórmula serve à função para a qual foi criada; porém, as situações mudam quando as pessoas mudam — razão pela qual não devemos nos cegar às possibilidades. Pois, nesta vida, as respostas não estão apenas no “sim” ou no “não”; muitas vezes, o que ocorre é o “depende”.

Por conta disso, moro e morro dentro de mim; e, por aqui, vou me suportando, tentando mudar o rumo dos ventos — o que pode ser um ato de ousadia. E, nisso, sonho que a sorte me favoreça.

Suponho — e é muito provável — que eu já esteja morrendo. Mas não tenho certeza, nem pressa. Nunca morri. Quando isso ocorrer, que eu me torne encantado, conforme pontua Guimarães Rosa.

Nesse retrato das preliminares, penso que, em qualquer cenário, ou de qualquer maneira, viver vale a pena — dádiva que ela é!

Inquilino das prerrogativas permitidas, resta-me seguir vivendo além das próprias expectativas, no universo das perspectivas das incógnitas — das quais gosto, pois excitam a mente. E, nos estímulos delas, os desfechos, quase sempre, são inusitados. Do nada ao tudo, há de prevalecer a atitude; senão, é nada.

A história só é história se a jornada for longa; do contrário, é apenas momento, efemeridade. O amanhã é sempre um recomeço — e não existem recomeços quando a vida perde o sentido. Portanto, se a vida é para os vivos, vivamos como podemos e a temos.

O tempo é caminho sem volta. Ele não para só porque você parou no tempo, pediu para descer do trem da vida, comprazendo-se com o passado e atrasando o comboio. Se fizer isso, terá de descer e ficar no passado — e nele se consumir, submetendo-se ao desfecho.

Circunstâncias como essas, nas quais não se considera o latente e possível futuro, mas o passado como se fosse o presente — pois lá estão as vivências, as experiências e as lembranças. De lá, resgatam-se imagens, amigos, semelhantes de convívio e o maior tempo vivido. Tudo fruto de pontuais e fugazes flashes de saudosismo que emergem — mas nada que possa desbotar o realismo presente. Nesse cenário, o futuro é uma miragem, uma prerrogativa consequente, fictícia.

Muitas vezes, os três tempos da vida se resumem ao renitente passado, embora a dinâmica marcha mundana siga célere, inexorável e em cadência ritmada — nela, permitindo e acolhendo o sonho de cada um, que, somados, formam o que é a humanidade: um resumo de expectativas às quais, eventualmente, nos resignamos.

Caricatura física, somente a alma — com o vigor da Idade dos Anjos — é capaz de sustentar um corpo cansado, que parece arrastar pesados correntões presos aos pés que já caminham lentos, inseguros, às vezes. Às costas, as gavetas do armário do passado começam a incomodar, ao mesmo tempo em que as forças começam a faltar. Pior, e não menos, são as indiferenças nas contrapartidas sentimentais jacentes. A vida é assim!

Independente do passado, do presente ou do futuro, o mundo continua tirando sangue e dor de sua jornada. Por isso, ao reduzir o ritmo dos passos, ali está o começo do fim.

Ei, passado — desapegue de si!
Cara, você está ficando velho. Me acompanhe! Estou indo para o futuro, pois, no chão onde pisei, as pegadas que deixei os ventos já devem ter apagado. Já não me servem.

Ao invés de velhos, idosos, que sejamos vintage: uma versão moderna, bonita e melhorada da denominação de nós outros — respeitado o conteúdo de cada um, claro.

Nesse contexto de um novo ciclo que se inicia, quero lançar às calendas as expectativas atemorizantes e viver essa incógnita que é a vida. Que a natureza e o tempo me suportem por aqui, o quanto puderem.

“Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar… Quando colherem os frutos, digam o gosto pra mim!”Elis Regina

Carpe diem!
Think Blue!

Lourival Mendes Magalhães
5 de novembro de 2025


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