A semana começa triste para o povo brasileiro

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Hoje vai ser um daqueles dias. Começamos a semana amargando a eliminação do Brasil na Copa do Mundo. A derrota para a Noruega, ontem, foi traumática e difícil de compreender. O futebol brasileiro, que durante décadas foi considerado o melhor do mundo, atravessa uma crise sem precedentes. Já não temos os craques de antigamente. Hoje, o país carece de um jogador realmente decisivo, daqueles capazes de mudar o rumo de uma partida e fazer a diferença em uma competição da grandeza de uma Copa do Mundo.

Na minha avaliação, essa perda de identidade começou a se intensificar quando o dinheiro passou a dominar o futebol em escala global. O enorme poder financeiro dos grandes clubes europeus faz com que nossos jovens talentos deixem o Brasil cada vez mais cedo. Lá fora, assimilam um modelo de jogo diferente, muito mais tático e padronizado. Muitos acabam perdendo a criatividade, o improviso e a espontaneidade que sempre marcaram o futebol brasileiro, tornando-se jogadores mais “engessados” e previsíveis.

Enquanto isso, outro problema compromete a Seleção Brasileira: o critério adotado pela CBF nas convocações. Há uma valorização quase automática dos atletas que atuam nos grandes clubes da Europa. Muitas vezes, pouco importa a fase técnica ou o rendimento recente. Basta vestir a camisa de uma equipe de prestígio para o jogador ser considerado convocável e, em alguns casos, até indispensável.

Os exemplos são numerosos. Danilo, Alex Sandro, Ederson e Casemiro são jogadores que tiveram carreiras importantes, mas já não vivem o auge de seu futebol. Danilo e Alex Sandro acumulam experiência internacional, porém isso, por si só, não deveria garantir presença permanente na Seleção. Ederson sequer conseguiu se firmar como titular quando atuou no Corinthians. Já Casemiro construiu uma trajetória brilhante no Real Madrid, mas isso não significa que deva ser convocado indefinidamente, independentemente de sua fase atual.

Enquanto esses nomes continuam sendo lembrados, diversos jogadores que atuam no futebol brasileiro vivem momentos melhores e poderiam ter recebido uma oportunidade. Outro equívoco foi a ausência de um meia-esquerda de origem, capaz de organizar as jogadas e dar criatividade ao setor de criação, algo que fez falta durante a campanha.

O fracasso, portanto, não pode ser atribuído a um único fator. Ele é consequência de uma série de decisões equivocadas, de mudanças estruturais no futebol brasileiro e da perda de características que sempre diferenciaram nossas equipes. A Copa do Mundo terminou para o Brasil deixando um sentimento de frustração. Mais uma vez, o torcedor viu seu esporte mais amado dar sinais de que continua perdendo protagonismo, qualidade e força no cenário mundial.

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