Crônica
O COMANDANTE MOACIR, UMA VÍRGULA DE LUZ
Os amigos são uma mesma alma em corpos diferentes que a acolhe!
O bom dia ou boa tarde, repetido três vezes é a saudação com que ele se apresenta; faça sol ou faça chuva, não tem nada que o impeça de fazer essa efusiva introdução, quando no encontro com alguém, em qualquer lugar, momento ou oportunidade, respeitadas as circunstâncias, é claro.
Nos tempos em que não se falava em bulling, talvez pelos grossos óculos que precisou usar na infância, ele carregava o apelido de Doutor Silvana, uma referência ao homônimo das aventuras dos Capitão Marvel, que só os clássicos vão se lembrar; fato esse que, desde todos os tempos, era motivo para arrumar encrenca com sua mãe que detestava esse tipo de chamamento, ela ficava possessa.
Depois de algum tempo, não me lembro agora por qual motivo, passou a ser conhecido por outro apelido, que ele, com a sua conhecida tolerância, aceitava; mas sua mãe igualmente detestava. Talvez uma herança dos ensinamentos da mãe, não é comum vê-lo chamando as pessoas por apelidos, e também se irrita quando alguém encaminha algum tipo de gracejo, tanto para ele como para amigos que coleciona; assimilando aquele hábito da mãe, na maioria das vezes, ele chama as pessoas pelo nome, contrariando o costume prevalente em círculos de amizades.
A única concessão no perfil dele é que, talvez por ser muito alto, carinhosamente, use diminutivos no enunciado do nome de quase todas pessoas com as quais trata, seja lá que altura tenham; é uma outra característica notável desse meu amigo.
No contexto do núcleo de meus relacionamentos, habitaram tipos pontuais, ocasionais, dissimulados, intencionais, hipócritas, falsos, digitais e outros, de toda categoria e procedimento; dente os quais, amigos eu tive, amigos eu tenho, os reais são poucos, é verdade, por escolha.
Nessa janela, vejo os poucos amigos em comum mais fiéis e constantes, que eu denomino de “os mosqueteiros”, ele é um deles, mas é o zero um, o “best friend forever”, porém, não fiquem enciumados os demais, ele é o meu mais fiel, por uma simples razão e vantagem: é o mais longevo; um a zero pra mim, não podem falar nada por conta disso!
Difícil saber quando começou a minha ligação com ele, só tenho certeza de que vem do distante tempo em que nos conhecemos, o que remonta à época da “infantolescência”.
Tantas coisas dividimos em nossa trilha de amizade, indo das inocentes brincadeiras da menor idade às peladas no futebol, lá pelos lados da Vila Palmira, até os times formalizados, fomos colegas de trabalho no segmento financeiro, e já no início nos tornamos fraternos amigos, celebramos conquistas e lamentamos perdas; assim, foi desde o sempre, até hoje, e seguiremos dessa forma, irmanados, isso é certo.
Sempre presente a qualquer pretexto, intenso e constante na vida dos amigos, serve com o senso de urgência e emergência, quando solicitado, ou não, a qualquer hora e momento, e isso não é só comigo; atos que posso atestar, são inúmeras as ocorrências nas quais ele exercitou essas virtudes.
Onipresença, comprometimento, frequência, assiduidade, intensidade, fraternidade, empatia, e mais, são componentes daquilo que compõe o perfil do protagonista dessa escrita; além de carismático, é popular, tem muito mais amigos que os bichos carregados na Arca de Noé na saga da salvação no dilúvio.
Paradoxal, tudo isso ele consegue carregar, conciliando com uma irritante paciência e nisso divirto-me: pois, há anos, segurando a idade que possui, daqui a pouco eu vou passá-lo e ficar mais velho nessa nossa jornada terrena; ainda, digo, que com a paciência que tem, quando eu estiver próximo do sono eterno, quero que ele vá buscar as velas, vá devagar, não tenho pressa, quando voltar, eu morro, sei que vai demorar…
Com o “alemão” já assediando, descubro, a essa altura da marcha, que não é tudo a todo custo, é tudo às custas de mínimas perdas, pois as amizades são norteadas nessa concepção de compartilhamento, mesmo que não percebamos. Abro aqui parênteses para uma curiosidade e dúvida de sempre: não sei se ele é são paulino ou corintiano, acho que os dois; nesse caso, contrariando o perfil de fidelidade que demonstra na sua relação com os amigos. Coisas da natureza humana.
Quase sempre a mim se refere me chamando por bacharel, às vezes mais teimoso do que eu, não dá o braço a torcer, mas eu cedo, ele cede e a vida segue!
Mais que amigo, esse posso e devo chamar de irmão, pois para mim, ele assim o é; se amanhã eu adormecer para o último sonho e dormida, levarei comigo a lembrança da fraternidade, empatia, bondade, paciência e tolerância dessa singular figura.
Deus, certamente, quando escreveu a frase para definir a jornada da minha vida, nela inseriu algumas vírgulas, algumas de luz, ele é uma delas.
Filho de Zelão e Sidelcina, também conhecida por Dézinha, que, no fundo, ela não devia gostar, pois era avessa a esse tipo de chamamento, como já mencionei a pouco.
É nada!…é sim! Essa é uma vinheta, que ele exclama no início ou meio das conversas; assim, como se fosse uma pergunta retórica, mas sem resposta, cria suspense ou curiosidade, estabelecendo a descontração, sempre benvinda.
Suspense, como faço, agora, ao final dessa narrativa.
Nesta data, no meu costumeiro e conhecido silêncio, celebro o aniversário dele, mas são fervorosas as minhas preces para que o Supremo o preserve em nosso meio, haja vista sua indispensável presença por aqui, enquanto Ele, podendo e querendo, assim determinar.
Moacir é seu nome de ofício, mas todo mundo o chama pelo seu nome social, uma marca, já.
O COMANDANTE está fazendo aniversário, hoje!
VIDA LONGA, MOACIR FERREIRA DE OLIVEIRA!
VIDA LONGA, MEU IRMÃO!
VIDA LONGA, DERÃO!
SALVE, COMANDANTE ZERO UM!
Lourival Mendes Magalhães_na unha, 4/12/2025_21º45’53″S_52º06’19″O
Lourival Magalhães
Escreve periodicamente no Blog do Toninho
Vencescredi









