Desmatamento no Cerrado pode inviabilizar agronegócio, afirma estudo

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Estudo mostra que, com a redução da cobertura vegetal nativa do bioma, quebras de safra estão se tornando constantes e podem piorar.”É agrossuicídio”, adverte o engenheiro florestal Argemiro Teixeira Leite Filho, professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre o que vem ocorrendo no Cerrado. Ele é um dos autores de um estudo publicado nesta sexta (06/12) pela revista científica Nature Sustainability, que mostra que, se os níveis de desmatamento seguirem elevados na região, o agronegócio ali se tornará inviável economicamente.

A pesquisa, realizada numa parceira da UFMG e com o centro de pesquisas americano Woodwell Climate Research, mostra que nenhuma outra savana do mundo tem sido tão destruída quanto o Cerrado brasileiro, que nos últimos 20 anos teve sua cobertura vegetal nativa reduzida de 127 milhões de hectares para 95 milhões de hectares, ao mesmo tempo em que a região viu as áreas agrícolas dobrarem — de 38 milhões de hectares para 77 milhões de hectares.

Com a tabulação de dados históricos e imagens de satélites, os cientistas contaram com a ajuda da inteligência artificial (IA) para excluir da métrica todas as causas que não fossem a destruição da vegetação — ou seja, o impacto de fenômenos como El Niño e La Niña foi desconsiderado. A conclusão é que o desmatamento está intensificando as mudanças climáticas na região.

Segundo um artigo publicado em fevereiro na revista Nature Communications, o Cerrado sofre de forma extremamente agressiva com o aquecimento global, acima da média global, e enfrenta sua maior seca em 700 anos. O impacto na agricultura, lembra Leite Filho, já é sentido, já que a região responde por 63% da produção do país.

Utilizando dados disponibilizados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o engenheiro florestal ressalta que chuvas 50% abaixo da média resultaram em uma perda de 7,3 milhões de toneladas de grãos, principalmente de soja e milho, na safra de 2020/21. Na safra 2023/24, os resultados foram ainda piores: perda recorde de 11,9 milhões de toneladas de soja e uma redução de 10% na produção de milho — no total, um prejuízo estimado em cerca de R$ 35 bilhões. DW

 

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